O dia depois de amanhã
Acabo de chegar do cinema. Foi com os colegas de curso ao Alvalaxia ver o apocalíptico The day after tomorow. O filme está muito bom, dentro do seu género. Gostei do argumento, onde pela primeira vez desde que me lembro, nem tudo acaba bem para os States. Não conto o resto, senão perde a piada.

Claro que há pormenores que falham, fenómeno típico nos filmes-catástrofe-natural. Lobos que sobrevivem a temperaturas baixíssimas, animações que reparamos imediatamente serem feitas por computador, congelaram o hemisfério norte na imagem final mas, pasmem-se, esqueceram-se de congelar o Atlântico, enfim. Mas a ideia global, faça-se justiça, está bem boa, e não seria assim tão difícil de acontecer. A Natureza é essencialmente caótica, e uma pequena perturbação pode induzir perfeitamente a uma muito maior, e é essa a ideia fundamental do filme. Quanto à física do problema, (ainda) não sou um especialista, mas não vi ali muita coisa que dissesse É impossível. Os fenómenos estão bem justificados!

Uma onda gigante que inundou Nova Iorque? E daí? Em Portugal, 1755, um tsunami inundou a baixa Pombalina até aos Restauradores! Com uma depressão daquele tamanho a abater-se sobre a cidade, a pressão tinha que ser compensada, originando-se uma onda gigante. É um fenómeno comum na passagem de um furacão, embora estes originem subidas do nível da água do mar mais pequenas porque a variação da pressão não seria tão intensa como a registada no filme.

Frios Glaciais? O olho de um furacão é constituido por uma corrente descendente, trazendo ar directamente da estratosfera para a superfície. Existe uma lei física bastante simples a que todos os gases obedecem, a lei dos gases ideais: pV=nRT. Quando o ar é forçado a descer, a pressão aumenta e portanto, a sua temperatura também aumenta, poderia um físico argumentar. Mas até isto é justificado: a corrente no olho (naquele caso) era tão forte que o ar não tinha tempo de atingir o equilibrio termodinâmico e portanto, conservaria a temperatura gélida da estratosfera (da ordem dos -50º), congelando quem se atrevesse a andar a passear pelas ruas quando o olho passasse.

Uma sucessão de tornados em Nova Iorque? Com o ar frio a chocar com o ar quente do Sul, é perfeitamente natural a geração de vórtices, que nalguns casos originam tornados (acontece imenso na Avenida dos tornados, que abrange estados como o Texas ou Oklahoma). A única nota que gostava de fazer é sobre a qualidade da animação. Está péssima, está demasiado chapado que foi animado por computador. Em todo o caso compreensível, nem os meteorogistas compreendem bem como funciona um tornado, e portanto os modelos matemáticos necessários para a animação são um pouco rústicos. Se repararem, os tornados do filme estão demasiado perfeitos, ao ponto de nem interagirem uns com os outro.
Podem contar com excelentes interperetações de Dennis Quaid, Jake Gyllenhaal (O Donnie Darko), Sela Ward (a protagonista de Começar de novo) e Ian Holm (O Bilbo Baggins, d'O Senhor dos Anéis).


















