Sábado, Fevereiro 19, 2005

Sesimbra

Tal como toda aquela zona, a vila de Sesimbra não é excepção a uma excepcional beleza e foi onde a organização da Associação Portuguesa de Meteorologia e Geofísica resolveu promer o seu 4º Simpósio, onde cientistas portugueses e espanhóis expõem as suas investigações e confraternizam num ambiente de colaboração priviligeado. Priviligeada é também a vista que se tem da sala de conferências para um mar imenso e azul. Os dias estiveram espectaculares, esteve sempre imenso sol e até algum calor. Os temas abordados foram também eles interessantes e variaram desde a possibilidade da instalação de uma rede de detecçã de tsunamis, ao aproveitamento e planeamento de parques eólicos, parametrizações de nuvens de pequena escala e a sua inserção nos modelos de previsão, o estado decadente do instituto de Meteorologia em termos de equipamento e pessoal, o facto de este não fornecer os dados gratuitamente às instituições sendo um laboratório do Estado, climatologia, tempestades de areia nas ilhas Canárias (que saudades me deu de Tenerife) e muito muito mais.
Ainda mais priviligeada foi a minha relação com os colegas que foram comigo. Alguns conhecia mal, outros conheço do dia-a-dia. Mas uma experiência destas aproxima sempre as pessoas. Passámos os dias sempre juntos, não houve chatisses, antes pelo contrário. Toda a gente riu, bebeu, disse disparates... Até arrastámos alguns dos investigadores para um barzinho e convencêmo-los a alinhar no próximo jantar de curso (e desta vez sem levar carro para não terem desculpa). Infelizmente ainda não consigo abandonar o bloqueio que é evitar contar aos colegas que se é gay. Tenho impressão que se o fizesse, ainda iriam gostar mais de mim, porque penso que se percebe que eu escondo alguma coisa. Não valeria a pena por a boca no trombone e pronto? Não no sentido do orgulho de o ser, não no sentido de os provocar, mas no sentido de não ter mais nada a esconder...