Sábado, Julho 30, 2005

De volta à parvalheira...

Escrito há uma semana

Estar em Portimão é chato. Não sei se é pela mudança de ar... As pessoas... Sim, as pessoas... São diferentes! E depois por perder a liberdade que tenho ao viver sem ter de dar contas a ninguém e poder gerir os meus próprios horários. Se me apetecesse acordar a horas indecentes ninguém se importaria com isso! Aqui gritam comigo por não sair da cama... Há pressa para tudo, apesar de se estar de férias. O resultado é eu me sentir como o Jacinto, protagonista do romace de Eça de Queirós A Cidade e as Serras: entediado e entorpecido pela monotonia. Falando nisso, acabei a dita obra ontem e é realmente fantástica. Estou ansioso por poder ler mais desse grande Realista que foi Eça.

A verdade é que desde o início das férias que me sinto assim, sem rumo. Acho que me tornei num workaholic, preciso de trabalho e objectivos para cumprir para me sentir vivo e útil. O ócio não é definitivamente para mim. Sim, claro, é óptimo estar dois meses sem pensar em equações e conceitos estranhos, poder estar com os amigos, sair sem hora para voltar, não ter de levantar cedo... O que prentendo explicar é que uma vida com regras tem mais sentido, não nos sentimos uns pedantes, quase parasitas da sociedade... Acho que nas férias devíamos ser obrigados a fazer algo diferente. Uma viagem, quanto a mim, seria perfeita: conhecer-se-iam novos lugares, novas pessoas, outras formas de pensar... E pelo menos não seria monótono!

Agora isto!... Esta gente que tanto ansiei deixar! Mentalidades retrógradas! Preocupações com as maiores futilidades! Um sistema de transportes insignificante! Coscuvilhices e intromissões na nossa vida!

Inferno!


Não quero!


Quero o meu cantinho em Lisboa ou noutro sítio longe daqui!

Quinta-feira, Julho 28, 2005

VII.iii) Aspirina® - A Estocada Final

Apenas mais uma achega acerca do fármaco, que o meu propósito inicial era apenas a explicação do nome “Aspirina”...

Apesar de não necessitar de receita médica para ser dispensada, apesar de alguns famacêuticos (os incompetentes, como os há em qualquer profissão) não vos perguntarem nada quando a pedem numa farmácia, e apesar de toda a gente a tomar do mesmo modo que a galinha come o milho, a Aspirina não contém uma molécula inofensiva, ao contrário do que a maioria do povo pensa…

Que fique aqui registado que o uso de AINES, como a aspirina, é das principais causas de morte e hospitalização entre nós!: nos Estados Unidos da América, matam 16500 pessoas / ano e levam 107000 / ano a hospitalizar-se [FRIES et allii, 1998]; no Reino Unido, causam 1200 mortes / ano e 12 000 complicações gastrointestinais / ano [HAWKEY, 1996]!

Pois é, como para qualquer medicamento, existem obviamente efeitos laterais para os AINES, a saber:
- Alterações nas mucosas gástrica e intestinal, por efeito sistémico de inibição da produção das PGs que também são protectoras da mucosa (e não por efeito directo aquando da toma per os, como acontece noutros fármacos) - perigo de agravamento de úlceras e perigo de hemorragias patentes (hematemese, melenas) ou ocultas;
- Reacções de urticária, rinite grave e asma, por aumento da actividade da enzima lipooxigenase (proteína que leva à produção de leucotrienos – mediadores da actividade leucocitária), uma vez que o substrato da enzima inibida fica mais disponível para esta outra enzima da cascata do ácido araquidónico (isto ocorre principalmente para a Aspirina);
- Alteração de líquidos e electrólitos corporais, pela retenção de sais e pela inibição da reabsorção de cloro a nível do rim, originando-se edema; o mesmo mecanismo leva à diminuição da eficácia de anti-hipertensores diuréticos que se tomem paralelamente;
- Nefropatias, podendo dar insuficiência renal aguda para tomas crónicas, uma vez que a vasoconstrição renal por ausência das PGs vasodilatadoras (PGF2α e PGI2) leva à hisquémia, por falta de aporte de sangue aos tecidos renais.

Existem ainda perigosas interacções com outras substâncias que possamos estar a tomar, como para a maioria dos medicamentos, querendo eu dar principal relevo aos antidiabéticos orais (sulfonilureias, principalmente), uma vez que estes reforçam os efeitos hipoglicemiantes dos AINES que sejam salicilatos (como a Aspirina).
Digo também, que não é muito boa ideia engolir-se uma “inofensiva” Aspirina para combater uma dor de cabeça quando se está a tomar um anticoagulante (anti-vitaminas K, heparina), uma vez que o ácido salicílico também actua como anti-agregante plaquetário: reforça-se a acção anticoagulante – maior risco de hemorragias várias.
Destaco ainda a perigosidade da ingestão de álcool (etílico) com um AINE, uma vez que aumentamos o risco de uma hemorragia digestiva.
Ainda, a Aspirina não deve ser administrada no último trimeste da gravidez, uma vez que induz o precoce encerramento do canal arterial cardíaco do feto.

E já nem coloco aqui a lista dos sintomas dum caso de intoxicação / sobredosagem, os quais podem ir de uns meros zumbidos e náuseas, até à febre, colapso cardiovascular e insuficiência respiratória!

Depois disto tudo, e sendo um dos papéis do farmacêutico informar (de modo menos técnico, é certo) o utente acerca destas contra-indicações e sondar a existência de interacções medicamentosas em doentes polimedicados, venham-me cá com as histórias da banalização do acesso dos utentes ao medicamento. Quantas pessoas sabem destes efeitos perniciosos? E mesmo que venha tudo escrito na bula, como alguns alegam, o aumento do número de pessoas alfabetizadas não significou igual aumento para a literacia: as pessoas poderão ser capazes de ler que um medicamento é antipirético e que não o devem tomar juntamente com sulfonilureias, mas podem não ser capazes de compreender o que lêem, de detectar qual dos medicamentos que tomam é uma sulfonilureia e perceber o que é um efeito antipirético. É para isso que o estado gasta dinheiro na formação de técnicos de saúde especializados; para haver uma interface entre o conhecimento científico e a sua aplicação na prática.
Penso (eu e, felizmente, muita gente de bom senso, que não só os meus pares) que os medicamentos não são e nunca poderão vir a ser equiparados a mercearias. Pura e simplesmente não são a mesma coisa, e não podem ser tratados da mesma forma. Mesmo certas mercearias e produtos de ervanária já trazem as complicações que trazem, quanto mais os "medicamentos-declaradamente-medicamentos"…!
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[ Bons Agosto e Setembro ! ]

Segunda-feira, Julho 25, 2005

VII.ii) Aspirina® - Os Nomes

Já muitos tomaram, mas poucos já pensaram na origem do nome de marca “Aspirina®” (BAYER).

Muitas vezes, os nomes comerciais inspiram-se na molécula activa do medicamento, fazendo-se arranjos nas palavras mais ou menos lógicos, de acordo com as fantasias do autor e com a viabilidade que o nome resultante tem de ficar no ouvido do consumidor. Neste caso, os senhores inspiraram-se na planta que se usa para extrair uma molécula-base que entra num processo de posterior hemissíntese. De facto, no laboratório, o que se pode fazer (para além de uma síntese total) é a adição de um segmento acetilo a uma molécula de origem vegetal. Isto é, pegamos na conhecida molécula de ácido salicílico fabricada por células vegetais e acetilamo-la, transformando-a em ácido acetilsalicílico (AAS), que pode depois ser dispensado sob a forma de sal solúvel em água, como o acetilsalicilato de lisina do Aspegic®, o qual levará a um efeito típico de AINE.

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Molécula de ácido acetilsalicílico (fonte: www.hpt.co.at , 16-V-2005).
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Ora, somamos aqui dois nomezinhos dos quais temos de perceber a origem: ácido salicílico e Aspirina.
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Já ARISTÓTELES referia os salgueiros como fonte dum composto de efeito analgésico. De facto, as primeiras plantas de onde se extraíu o ácido salicílico foram as dicotiledóneas salicáceas do género Salix L., principalmente da Salix alba L., 1753 (salgueiro-branco), árvore de pernadas erecto-patentes e ritidoma acinzentado, que também cresce em Portugal (em duas subespécies), sempre perto de cursos de água. Salix significa salgueiro (ou vime) em latim. E está explicado o primeiro nome: Salix → salicílico.
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Posteriormente, descobriu-se que era mais rentável a extracção a partir de uma outra planta, esta também dicotiledónea, mas pertencente à grande e muito explorada pelo Homem família das Rosáceas, à qual também pertencem as roseiras (Rosa L. spp.), os morangueiros (Fragaria vesca L.), as silvas (Rubus L. spp.), as macieiras (Malus MILL. spp.), as pereiras (Pyrus L. spp.), as nespereiras (Mespilus germanica L. e Eriobotrya japonica [THUNB.] LINDL.), as ameixeiras, abrunheiros, pessegueiros e damasqueiros (Prunus L. spp.), etc., etc.. Tratava-se de uma espireoídea do género Spiraea L., que possui um salicósido, o qual origina a nossa matéria prima – ácido salicílico. E está o segundo nome explicado: Spiraea → Aspirina.
Todavia, a espécie mais utilizada é a Spiraea ulmaria L. (ulmeira), erva rizomatosa que também cresce em Portugal, e que o botânico MAXIMOWICZ mudou, posteriormente, para o género Filipendula MILLER, o qual partilha com o género Fragaria L. (e outros) a subfamília das Rosoídeas – Filipendula ulmaria (L.) MAXIM., 1879.
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[Termina no fim da semana].

Quinta-feira, Julho 21, 2005

VII.i) Aspirina® - A Acção Farmacológica

Não pretendo publicitar esse famoso medicamento de uso tão comum e generalizado, de propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antipiréticas, como qualquer fármaco da classe dos AINES (Anti-inflamatórios Não Esteróides), que toda a gente já usou. Apenas venho explicar certas curiosidades que se escondem no tema que a Aspirina proporciona.

Bastaria uma consulta ao dicionário por parte do leitor curioso mas, como vem a talho de foice, decidi começar por descortinar os (para bastantes leitores) herméticos termos por mim acima usados. Se bem que toda a gente saiba o que é um efeito anti-inflamatório ou antipirético, tenho reparado que pouca gente conhece a razão desses nomes e, portanto, tem mais dificuldade em “ligar o nome à pessoa”.
- Ora, “anti-“ já sabemos que é um prefixo usado para exprimir a ideia de “contrário”, “oposto a”. “Inflamatório” é um estado fisiológico de resposta a uma agressão (não vou entrar na explicação dos seus mecanismos), que se caracteriza por calor, rubor (vermelhidão), tumor (inchaço) e dor: os 4 “-ores”. Calor e rubor lembram o fogo, a chama, que se diz em latim “flamma”. Assim, ao processo caracterizado pelos 4 “-ores”, chamamos “inflamação”, e o medicamento que suprime esses sintomas, diz-se “anti-inflamatório”.
- “An-“ indica a negação de qualquer coisa; “algia” significa dor (palavra de raíz grega). Um medicamento que nos tire a dor, denomina-se “analgésico” (ou anti-álgico...).
- Quando experimentamos a febre, o que sentimos é um aumento exagerado da temperatura, uma sensação de que estamos a arder, de que estamos em fogo. Em grego, a ideia de fogo é exprimida pela raíz “-pyros-“. Um estado febril chama-se “pirese”; um medicamento que se oponha à febre, e indo buscar a primeira definição aqui dada, é chamado de “antipirético”.
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[Fonte: www.biomaterial.com.br, 16-IV-2005]
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Um dia, perguntava-me um amigo meu o que é que “fazia” a Aspirina. Pois bem, na altura corei porque não lhe soube explicar, mas hoje posso aqui dizer, de um modo muito sucinto e simplista, que a aspirina actua por inibição (acetilação irreversível) da enzima ciclooxigenase (COX), a qual seria responsável pela produção, após estímulo traumático e início da chamada cascata do ácido araquidónico, de mediadores químicos que levam a um estado inflamatório (dor, calor, rubor, tumor), entre os quais as prostaglandinas (PG). Vários tipos de PGs foram descobertas e estudadas, verificando-se que contribuem umas para a vasoconstrição (e vasodilatação), outras para a dor e outras para a febre e para o edema (inchaço), presentes na inflamação.
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[ Cascata do Ácido Araquidónico (PG = ProstaGlandina; TX = TromboXano; COX = CicloOXigenase) ; fonte: www.bioscience.org, 21-VII-2005 ].
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[Continua na próxima semana].

Segunda-feira, Julho 18, 2005

De volta!

Quinta-feira, Julho 14, 2005

Thievery Corporation ao vivo

Mais um concerto nesta semana preenchida em termos musicais! Desta vez forma os Thievery Corporation, que actuaram na Casa da Pesca em Oeiras, num concerto inserido no Cool Jazz Fest.

Os bilhetes esgotaram, e o ambiente estava óptimo. O sítio era afinal um jardim do palácio do Marquês de Pombal, com um lago no meio. As pessoam dispunham-se em torno deste, sentavam-se nas bordas, chapinhavam se lhe apetecesse. Foi realmente um momento alternativo. E o som, meu Deus... Os Thievery fizeram uma retrospectiva daquilo que tem sido a sua carreira, não se limitando às canções do último álbum. Uma espécie de Best of ao vivo. A cada estilo, eram ajudados por diferentes vocalistas. Destaque para a brasileira Karina, que frequentemente se esquecia que podia falar a sua língua materna, tal não era o hábito :)

Que se manquem as pessoas que me diziam que Thievery Corporation não prestam ao vivo. Digo mesmo que até prefiro ouvi-los assim, muitos decibéis acima do que me é permitido aqui por casa, de modo a que os graves, tão característicos da sua sonoridade, nos façam vibrar a alma e nos elevem alguns centímetros acima do chão. Foi um grande concerto, num ambiente intimista, repleto de apreciadores que conheciam, como eu, as suas canções de uma ponta à outra. A repetir, para o ano que vem.

Quarta-feira, Julho 13, 2005

Foste o resfriado do meu Verão...

O calor incita a ventoínhas ligadas, dormir mais destapado, mais transpiração... Custa mais a adormecer, parece até que quando nos deitamos para dormir o nosso corpo aquece mais de propósito para nos fazer transpirar. O problema é que quando adormecemos mesmo, destapados e transpirados, arrefecemos rapidamente. E isso valeu-me um resfriado... :(

Terça-feira, Julho 12, 2005

VI) Facadinhas Menos Profundas

O que é que a maioria das pessoas corteses responde quando lhe dizem “obrigado.”? “De nada.”, não é? Pois essas pessoas deviam ir alterando o protocolo de resposta, porque “De nada.” é uma expressão castelhana que segue o “Muchas gracias”, e que é desnecessário que importemos. No Português genuíno, a resposta é o “Não tem de quê.”, ou o bom e velho “Ora essa!”.


Quantas vezes ouvimos e lemos nós discursos em que existe a expressão “enquanto que” pelo meio? “Enquanto que” é uma adaptação da expressão francesa “tandis que” e que não é necessária na língua portuguesa. Em português dizemos apenas “enquanto”. Dando um exemplo: O meimendro-negro possui uma corola veiada, geralmente escura no tubo, enquanto [e não “enquanto que”] a corola do meimendro-branco é amarelada e não violáceo-venosa.


Existe notória confusão acerca do género gramátical da palavra “síndroma”. Se bem que muita gente trata “síndroma”, quando isoladamente, no masculino, quando fala em SIDA, usa o feminino. Na verdade, “síndroma” é um substantivo feminino, e está correcto que digamos e escrevamos “a SIDA”, uma vez que estamos a referir-nos à Síndroma de Imunodeficiência Adquirida.


Quantas vezes vi eu utilizar-se a expressão latina “ad hoc” para fazer passar as ideias de “de qualquer modo”, “sem método”, “de uma maneira qualquer”? Pois é, mas que se fique sabendo que “ad hoc” que dizer precisamente o oposto!: “para isto”, “a isto”.

Segunda-feira, Julho 11, 2005

Hype@Tejo

Ontem foi dia de festa! A anunciada ida ao festival mais electrónico do Verão superou todas as expectativas! Um grupo modesto, mas pronto para uma grande noite de música estava a entrar no recinto perto das 21h, altura em que estava anunciado o inicício das festividades. O espaço estava já composto, a animação já começava a dar os primeiros passos. Começou-se por fazer o reconhecimento dos diferentes quiosques patrocinadores do festival que propunham passatempos diversos, a fazim a sua publicidade. Aproximmámo-nos do palco principal onde DJ Dolores mostrava já aquilo de que era capaz: um ritmo latino, simples e contagiante, que nos pôs logo a dançar. Mas ainda havia espaços para ver e não vimos o concerto até ao fim. Entretanto perdemos o DJ Set dos Kruder&Dorfmeister porque não nos passou pela cabeça que podiam não actuar no palco principal... Seguiram-se os Blasted Mechanism que quanto a mim, se devem ter enganado no festival (se bem que vão a tudo quanto é festival este ano...); alguém lhes devia ter explicado que se tratava de um festival de música electrónica e não de metal ou lá o que era aquilo. Destaque apenas para a cenografia (apresentam-se de forma original, com fatos alienígenas).

E aí sim, começou a boa música. Lola Olafisoye, a vocalista dos Spektrum, deu um show e tanto!



A sua sensualidade, os seus movimentos, o seu ronronar qual Catwoman... A sonoridade deste grupo é realmente surpreendente, sendo a música mais conhecida o fantástico Kindanew que tocaram na perfeição (surprendendo até com uma passagem repentina ao mix já conhecido por estas bandas - do Thiefschwarz).

Os senhores que se seguiram dispensam apresentações; os Portugueses The Gift apresentaram-se humildes 'agradecidos por lhes terem deixado tocar ali'. Que nada! Que belíssimo espectáculo deram! Mesmo a produção, inesperadamente cuidada (tendo em conta que são uma banda nacional). Nas músicas, sobejamente conhecidas entre o público português, destaco claro o 'Ok, do you want something simple?' e os singles já lançados do novo álbum: 'Driving you slow' e '11:33', entre muitas outras.



Os últimos a tocar no palco principal valiam, por si só, os 30€ que me custou o bilhete, ou até mais. Os Chemical Brothers deslumbraram com um grande show de música, cor, lasers e muito, muito ritmo! Entraram a matar com aquela que é talvez a sua música mais conhecida: 'Hey Boy, Hey Girl', mas não se ficaram por aí, tocando todos os temas que bem lhes conhecemos, à excepção talvez do 'The Test' (para grande desilusão de um dos presentes...). Quanto a mim, o momento do nirvana atingiu-se quando comentei: 'se calhar já não tocam o Star Guitar' e um segundo depois começam a introduzir a sonoridade tão característica daquela música (sem exagero!...).



Foi pular até aguentar, a Ana até ficou sem voz... Ainda julgámos que se descançássemos um pouco conseguíamos aguentar até ao DJ set dos Dezperados, mas foi já vencidos pelo cansaço que nos dirigimos para o carro, de volta à nossa caminha. E para o ano há mais!

Quinta-feira, Julho 07, 2005

A crise

Muito se tem falado, a propósito dos 100 dias de governação do executivo de Sócrates e da aprovação do orçamento rectificativo, das polémicas medidas que este tem tomado. Assisti ao [excelente] programa 'Prós e Contras' [2as feiras às 23h na RTP], no qual as personalidades que lá foram alegavam que, dada a actual situação económica, não era a melhor altura para nos lançarmos na construção do Aeroporto da Ota e o TGV. Um esclarecimento impunha-se [há muito], pois se por um lado os impostos são aumentados e os benefícios sociais retirados, por outro, parece que essas obras de grande envergadura vão mesmo andar para a frente. A opinião pública precisava de saber afinal o que passa pela cabeça do nosso PM. Pois parece que lá percebeu e lá se dignou a ir até Carnaxide prestar uns esclarecimentos aos portugueses. Infelizmente não pude ver em directo, mas li hoje no DN e na SicOnline o essencial das suas declarações.



Parece que o objectivo é preparar o futuro. O aeroporto da Portela estará estagnado daqui a alguns anos e por isso é preciso começar a pensar em construir um novo. Depois diz ainda que o TGV é essencial para não nos separarmos do resto da Europa. Eu não sei, se ele acha que há dinheiro para tanto, muito bem. É que são dois projectos de grande envergadura (e de grandes custos para os nossos bolsos) e vale a pena ter a certeza se são absolutamente necessários. Claro que em relação a uns quantos estádios de futebol que aí foram construídos são bem mais úteis (veja-se a utilização do Estádio do Algarve, por exemplo...), mas até que ponto nos ajudarão a recuperar da crise? Não nos afundarão mais em dívidas? A resposta parece estar na participação reduzida do Estado, sendo a maior parte do investimento feita pelo sector privado. A ver vamos...

Em relação ao problema da energia e apesar de contrariar um pouco a minha própria ciência, penso que o senhor primeiro-ministro está um pouco enganado quanto à segurança das centrais nucleares. Afirma que vai apostar forte na energia eólica por ser menos perigosa. Mas a energia eólica tem um grave problema: não pode ser produzida de acordo com as necessidades, ou seja, se de repente precisarmos de energia extra, não a temos, ao passo que com a nuclear esse problema não se punha. Existe até interesse (também do sector privado) em construir uma dessas centrais no nosso país. Claro que apoio o investimento em eólica, porque apesar de tudo é fiável e limpa, mas não pensemos que resolverá todos os problemas de energia que existem...

Segunda-feira, Julho 04, 2005

Destino (?)

Destino. Tem sido tema de muitos filmes, ainda hoje estive a rever o Matrix Revolutions, nem de propósito. Nao sei se hei-de acreditar ou não. A minha veia racional diz-me claramente que tal coisa não existe. Como pode o rumo das nossas vidas estar traçado à partida? As escolhas que fazemos serão assim tão previsíveis? E se eu em determinado momento agir contra o meu próprio instinto e escolher o oposto do que normalmente escolheria numa mesma situação? Porque é que eu não tenho tomates para o fazer?

Domingo, Julho 03, 2005

Hype

Já tenho o bilhete para o primeiro dos imperdíveis deste verão: o Hype@Tejo.



A partir de agora é assim. Fartei-me de convites falhados e de trocas e baldrocas nas combinações. Vou e pronto. Quem quiser, junta-se a mim! :) Estão tod@s convidad@s!

Sábado, Julho 02, 2005

Reinas



Não, não é o blog, é um dos filmes mais divertidos dos últimos tempos. Aborda de uma forma muito light a recente legalização do casamento gay em Espanha. Conta a história de alguns dos casais (quais noivas de Santo António) que serão os pioneiros a dar o nó. Mostra-nos quanto tudo pode ser normal: a bela da sogra, a bela da despedida de solteiro, a bela da depressão pré-casório, a aceitação (em maior ou menor escala) pelos papás, a bela da preparação do copo d'água, etc. Até a recente aposta de alguns operadores turísticos no mercado gay é abordada.

Tudo ao estilo despachado característico de nuestros hermanos. Imperdível!

Foi tambem uma excelente oportunidade para finalmente conhecer as simpáticas Cacao! Um beijinho para vocês, são espectaculares.