De volta à parvalheira...
Escrito há uma semana
Estar em Portimão é chato. Não sei se é pela mudança de ar... As pessoas... Sim, as pessoas... São diferentes! E depois por perder a liberdade que tenho ao viver sem ter de dar contas a ninguém e poder gerir os meus próprios horários. Se me apetecesse acordar a horas indecentes ninguém se importaria com isso! Aqui gritam comigo por não sair da cama... Há pressa para tudo, apesar de se estar de férias. O resultado é eu me sentir como o Jacinto, protagonista do romace de Eça de Queirós A Cidade e as Serras: entediado e entorpecido pela monotonia. Falando nisso, acabei a dita obra ontem e é realmente fantástica. Estou ansioso por poder ler mais desse grande Realista que foi Eça.
A verdade é que desde o início das férias que me sinto assim, sem rumo. Acho que me tornei num workaholic, preciso de trabalho e objectivos para cumprir para me sentir vivo e útil. O ócio não é definitivamente para mim. Sim, claro, é óptimo estar dois meses sem pensar em equações e conceitos estranhos, poder estar com os amigos, sair sem hora para voltar, não ter de levantar cedo... O que prentendo explicar é que uma vida com regras tem mais sentido, não nos sentimos uns pedantes, quase parasitas da sociedade... Acho que nas férias devíamos ser obrigados a fazer algo diferente. Uma viagem, quanto a mim, seria perfeita: conhecer-se-iam novos lugares, novas pessoas, outras formas de pensar... E pelo menos não seria monótono!
Agora isto!... Esta gente que tanto ansiei deixar! Mentalidades retrógradas! Preocupações com as maiores futilidades! Um sistema de transportes insignificante! Coscuvilhices e intromissões na nossa vida!













