A ida a Sevilha foi muito fixe. Primeiro, foi a viagem. Sempre quis fazer algo do género: quando tivesse o meu carro, havia de ir pelas estradas do nosso Portugal até onde ele me levasse. Desta vez passei a fronteira e fui até Sevilha para uma conferência Luso-Espanhola de Meteorologia e áreas afins. Parou-se em Serpa, onde nos aguardavam uns deliciosos secretos de porco preto para o almoço. Seguiu-se em direcção a terras de
nuestros hermanos, onde nos esperava a primeira surpresa da viagem: neve. Muita neve, logo a seguir à fronteira. Não resistimos e encostámos o carro à berma para lhe tocar, pela primeira vez, como crianças quando recebem um brinquedo novo! É macia, leve e muito fria, além de óptima para mandar à pessoa mais próxima! As estradas espanholas são irrepreensíveis, com imensa sinalização, muito mais intuitiva que a portuguesa, assim como o preço da gasolina, muito mais baixo.
Depois Sevilha, com as suas laranjeiras em fruto, palácios do tempo dos mouros, cheios de história para contar. Valeu a pena ver o Alcazar, a Catedral e o Bairro Judeu. Valeu também a pena o passeio de barco pelo Guadalquivir e os passeios a pé pela cidade. A universidade é grande e cosmopolita com muitos departamentos diferentes. Foi lá a conferência e até tive direito aos meus 15 min de fama: fui lá apresentar oralmente os resultados preliminares do meu estágio. Foi uma pilha de nervos enorme: a apresentação decorreu num anfiteatro de um tamanho que metia respeito, num palco com um palanque onde estava o computador e um microfone. No início gaguejou-se um bocadinho, mas depois a coisa até que correu bem. Até ouvi alguns elogios e tudo, porque pelos vistos não se notou que eu estava muito nervoso (de alguma coisa me valeram 4 meses a fazer visitas guiadas na Gulbenkian).
Valeu ainda pelo convívio com as pessoas lá da faculdade, com as quais por vezes não estamos tão próximos quanto gostaríamos porque não se sai muito da relação de trabalho. Fiquei a saber que tenho um professor hipocondríaco e que as estatísticas apresentadas pelo Expresso têm um fundo de verdade, por exemplo. Além disso, no mesmo dia aprendi que não devemos sentar-nos num restaurante espanhol e pedir simplesmente 'tapas', pois a conta irá constituir uma desagradável surpresa, 30€ por pessoa no nosso caso. A comida por aquelas bandas é de facto uma desgraça.
Ainda assim Sevilha merece uma visita com tempo, tem imensas coisas para visitar e vistas magníficas. Para os mais aventureiros, há ainda a Isla Mágica, à qual não fomos por falta de tempo, mas que eu já conhecia.