Terça-feira, Outubro 31, 2006

Mais uma biagem à imbicta

Mais uma viagem ao Porto. Cada vez me sinto mais inútil naquelas reuniões, mas o chefe insiste em levar-me... Ele lá falou, mostrou os resultados aos gajos que pagam e a coisa até que nem correu assim tão mal. Pudera, com uma correlação de 0.78 entre dados observados e os previstos pelo modelo e um declive da recta de regressão de 0.97 (ambos os valores ideiais seriam 1), é bom que estejam satisfeitos. Aliás nunca se tinham visto valores tão bons, na nossa pouca experiência nestas coisas da energia eólica.

A viagem vale por si mesma. É nestas jornadas que descobrimos sempre um bocadinho mais acerca das pessoas com as quais trabalhamos. Quem poderia imaginar que o professor que veneramos foi expulso da faculdade dois anos consecutivos na sua juventude devido a ligações a um obscuro partido marxista-leninista? É daqueles detalhes deliciosos que nos aproximam e reforçam a confiança mútua. Há também oportunidade de colocar as cusquices em dia e para acertar detalhes de projectos futuros, onde se inclui o meu doutoramento. Quanto a isso não há novidades, além de um chorrilho de lugares possíveis e de potenciais colaboradores. Estou mesmo a ver a decisão a ser tomada às portas do concurso para a atribuição das bolsas, à bom português.

Entretanto, uma conversa sincera provou que o amor entre dois seres humanos é mais forte que certos detalhes mundanos e acasos do destino. Quais? Não vêm ao caso. Aliás, nunca vieram.

Segunda-feira, Outubro 30, 2006

o mestrado - primeiras consequências

Eu sabia. Tinha de voltar a ser o mesmo. Andava tão bem, não era? Já nem vinha para aqui queixar-me... (Nem vinha aqui, quase...). Agora voltei a ter aulas. Voltaram os problemas. Claro, fiquei sem tempo para ninguém e não sei como dar a volta a isso.

Ontem falei com duas pessoas que supostamente seriam minhas amigas no T e fui completamente desprezado. Quase que aposto que sei o motivo: nunca mais disseste nada. E não é caso único: há várias outras pessoas das quais mantenho uma distância completamente anómala. Só mesmo os amigos com 'A' com os quais por algum acaso não tive uma discussão estúpida é que ainda estão por perto de forma mais ou menos regular.

O mal de tudo isto é já ter estado do outro lado. Já estive naquela fase 'trabalho nas horas de trabalho' e agora o voltar a estudar está a ser bastante duro. Mais duro ainda porque as piores expectativas acerca do plano de estudos do meu mestrado se confirmaram: desde professores que são baldas, até professores que já não têm (ok... nunca tiveram) nada para nos ensinar de novo, até às aulas de 3h de seguida sem pausa, dadas das 17h às 20h... Enfim, eu só espero que um belo dia na minha vida eu possa dizer: foi estúpido mas por agora valeu a pena.