Mais uma biagem à imbicta
Mais uma viagem ao Porto. Cada vez me sinto mais inútil naquelas reuniões, mas o chefe insiste em levar-me... Ele lá falou, mostrou os resultados aos gajos que pagam e a coisa até que nem correu assim tão mal. Pudera, com uma correlação de 0.78 entre dados observados e os previstos pelo modelo e um declive da recta de regressão de 0.97 (ambos os valores ideiais seriam 1), é bom que estejam satisfeitos. Aliás nunca se tinham visto valores tão bons, na nossa pouca experiência nestas coisas da energia eólica.
A viagem vale por si mesma. É nestas jornadas que descobrimos sempre um bocadinho mais acerca das pessoas com as quais trabalhamos. Quem poderia imaginar que o professor que veneramos foi expulso da faculdade dois anos consecutivos na sua juventude devido a ligações a um obscuro partido marxista-leninista? É daqueles detalhes deliciosos que nos aproximam e reforçam a confiança mútua. Há também oportunidade de colocar as cusquices em dia e para acertar detalhes de projectos futuros, onde se inclui o meu doutoramento. Quanto a isso não há novidades, além de um chorrilho de lugares possíveis e de potenciais colaboradores. Estou mesmo a ver a decisão a ser tomada às portas do concurso para a atribuição das bolsas, à bom português.
Entretanto, uma conversa sincera provou que o amor entre dois seres humanos é mais forte que certos detalhes mundanos e acasos do destino. Quais? Não vêm ao caso. Aliás, nunca vieram.

