PhD
Com a abertura já tardia do concurso de atribuição de bolsas de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, a perspectiva de que vou estar ausente durante muito tempo torna-se de repente muito real e próxima, apesar de em princípio só ir para Los Angeles em Março do ano que vem. A oportunidade é excelente, qualquer pessoa da minha área a quem oferecessem a possibilidade de trabalhar na NASA durante uns tempos teria dificldade em recusar. O problema é o que fica em terras lusas, sabe-se lá durante quanto tempo... Vários amigos meus já embarcaram na aventura de ir passar uma temporada no estrangeiro, e 'sobrevivem'. As amizades e laços mais fortes perduram e não há que ter medo. Mas confesso que me sentiria menos assustado se fosse aqui mesmo pelo velho continente. Uma ou duas horinhas de avião e estaria de novo em casa, de volta daqueles que amo e que me amam a mim.
Sempre tive uma perpectiva bastante aberta no que toca a uma ida para o estrangeiro. Mas as coisas mudaram, o tempo passou e estou a viver um grande amor que não me apetece comprometer. Mas se há altura na vida em que tem que se sacrificar um bocado a vida pessoal em detrimento da profissional, é agora. Sinto que tenho muito que aprender e que já não posso aprender aqui; sinto que tenho asas mas não as sei bater para voar.
Também vou sentir muito a tua falta, é certo. Neste último ano, tornaste possível o que eu já julgava impossível, a nossa cumplicidade ultrapassou qualquer expectativa que eu pudesse ter quando nos conhecemos. É assim o amor, aparece inesperadamente e troca-nos todos os planos que haviam sido feitos. Vamos acreditar que o tempo passa depressa (e de facto, passa) e vamos vencer este desafio.
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